Trabalho da Fonoaudiologia na Unidade Básica de Saúde







Tradicionalmente, a Fonoaudiologia não está entre as profissões da saúde que foram incorporadas aos serviços da UBS por causa do desconhecimento do contexto histórico geral da saúde pública e da clientela a quem ela é tradicionalmente oferecida e retardou a experiência junto aos serviços públicos.

Portanto, escolas de formação não ofereciam/oferecem situações de ensino para os alunos. Com isso, a formação do fonoaudiólogo tem sido dirigida a um tipo de atuação clínica autônoma para um outro tipo de população que tem acesso a essa forma de atuação, fundamentalmente.


Participar de programas já existentes nos postos de saúde - programa de assistência à saúde da criança, programa de assistência à saúde da mulher, subprogramas de assistência à saúde da comunidade - de atividades integradas com a equipe, de assessoria às outras profissões da saúde, de palestras dirigidas à comunidade, de trabalhos conjuntos de rastreamento de problemas fonoaudiológicos junto à primeira infância e trabalhos educativos para a promoção de saúde, entre tantos outros faz parte dos objetivos daqueles que pretendem trabalhar em saúde pública. A fonoaudiologia, devido à sua especificidade, pode ainda contribuir de maneira incisiva, treinando enfermeiros e auxiliares de enfermagem na realização de testes simples de avaliação de audição, que podem, muitas vezes, evitar o encaminhamento desnecessário para exames audiométricos e detectar precocemente os casos positivos.

Deve-se salientar que cabe também ao fonoaudiólogo, o atendimento de casos de curta e média duração - a maioria da demanda fonoaudiológica - bem como a avaliação e encaminhamento de casos de assistência secundária. Paralelamente a isto, ações preventivas podem evitar que casos de assistência primária transformem-se em casos de assistência secundária, pela falta de atendimento. A participação nos programas de saúde da criança pode resultar em grandes benefícios para a população, à medida que ações educativas junto às famílias poderão mostrar a importância da linguagem e da dialogia para o desenvolvimento do aprendiz.

Vale a pena salientar a questão da patologização dos problemas de aprendizagem pela escola. Aqui a ingenuidade do fonoaudiólogo pode ser fatal, no sentido de que ele poderá transformar a solução em problema. Propondo-se unicamente ao atendimento, rapidamente seu agendamento estará lotado e uma enorme fila de espera passará a persegui-lo constantemente. Por outro lado, a falta de análise da origem dos problemas da população poderá levá-lo a assumir, ingenuamente, o papel de professor particular, responsável pela alfabetização da maior parte de sua demanda. Convém lembrar que a postura da escola - jogando para fora todos os que a ela não se adaptam - afeta também outros profissionais da saúde, como os educadores, os psicólogos e os médicos. Além de colocar para fora a causalidade de qualquer problema escolar, a escola mostra-se geralmente indisponível, como indicado anteriormente, para qualquer proposta conjunta e não quer questionar a razão, e sim obter a solução, também vinda de fora. Nesse sentido o programa de atendimento ao professor visa à transformação dessa escola, possibilitando-lhe a visão de outra realidade, aquela que o profissional da saúde passou a conhecer na busca de seu próprio perfil. Ainda nessa direção, caminha o programa de atendimento aos pajens, que não só objetiva a erradicação de dificuldades de linguagem, como também a educação das creches e escolas infantis, precursoras dá escola tradicional, no que diz respeito aos processos de aquisição da linguagem oral e escrita.




Dicas para profissionais
  • 3º Conafono – Disfagia
  • Drive Virtual de Fonoaudiologia
  • Curso online de Fonética e Fonologia

  • Comente:

    Nenhum comentário