O atendimento fonoaudiológico de crianças com TDAH exige precisão clínica. A dificuldade não está apenas nos sintomas centrais do transtorno, mas na forma como eles interferem diretamente no processamento de informações, na autorregulação comportamental e no desempenho comunicativo. A intervenção precisa ser estruturada, funcional e capaz de sustentar ganhos dentro e fora da terapia.
O primeiro eixo de trabalho é a linguagem funcional. Crianças com TDAH podem apresentar respostas impulsivas, dificuldade para organizar narrativas, interrupções constantes e pouca consistência na manutenção de tópicos. A intervenção deve priorizar tarefas que estimulem organização discursiva, sequenciação lógica, planejamento verbal e raciocínio linguístico. O objetivo é melhorar a clareza comunicativa, reduzindo comportamentos que prejudicam a interação social e o desempenho escolar.
A autorregulação comunicativa é outro ponto crítico. O fonoaudiólogo trabalha estratégias para ampliar a tolerância ao tempo de espera, reduzir impulsividade nas respostas e fortalecer habilidades metacognitivas associadas à comunicação. Técnicas como verbalização do pensamento, antecipação de etapas e organização de objetivos ajudam a criança a monitorar a própria fala e a construir respostas mais coerentes.
A atenção auditiva também precisa ser treinada. Muitas crianças com TDAH têm dificuldade em discriminar estímulos relevantes, manter foco em tarefas verbais ou sustentar informações por tempo suficiente. Intervenções que envolvem memória auditiva sequencial, discriminação fonológica, tarefas de fechamento auditivo e escuta ativa impactam diretamente o desempenho acadêmico e comunicativo.
As habilidades sociais fazem parte obrigatória da intervenção. Crianças com TDAH frequentemente apresentam rupturas conversacionais, interpretações literais, baixa percepção de sinais não verbais e dificuldades de leitura contextual. Trabalhar turnos de fala, manutenção de diálogo, interpretação de expressões faciais e compreensão de regras sociais melhora a capacidade de interação e reduz conflitos em sala de aula.
Por fim, a integração entre rotina terapêutica e ambiente escolar é essencial. Estratégias de compensação, adaptações comunicativas e orientações para professores garantem que o progresso não fique restrito à clínica. A intervenção eficaz é aquela que generaliza: o que a criança aprende na terapia precisa funcionar no cotidiano.
Para aprofundar protocolos, análises e condutas específicas para o atendimento de crianças com TDAH, consulte Intervenção Fonoaudiológica no TDAH.
Conteúdos para aprimoramento de estudantes e profissionais na Fonoaudiologia.

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