Amamentação e fonoaudiologia: o que realmente compete ao fono no manejo das dificuldades




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  • O manejo das dificuldades na amamentação ainda é um território cercado de confusões entre áreas. Muitos profissionais não sabem exatamente até onde vai a atuação da fonoaudiologia e quais aspectos realmente fazem parte da responsabilidade clínica do fono. Essa indefinição gera atendimentos truncados, excesso de encaminhamentos desnecessários ou, pior, condutas incompletas que mantêm o binômio mãe-bebê em sofrimento.

    A atuação fonoaudiológica na amamentação começa pela compreensão da biomecânica da sucção. O fono não avalia apenas o formato de pega, mas a qualidade da coordenação sucção–respiração–deglutição, a força gerada, a organização dos padrões orais, a estabilidade mandibular e a eficiência da transferência de leite. Esse olhar funcional diferencia a intervenção fono de orientações gerais sobre posicionamento, que podem ser úteis, mas não substituem a análise clínica de como o bebê de fato se alimenta.

    Outro ponto crítico é a avaliação das disfunções orais. O fonoaudiólogo identifica alterações no tônus, protrusão lingual inadequada, retração excessiva, instabilidade de lábios ou bochechas, fadiga precoce, uso de padrões compensatórios e dificuldade de manter selamento. Esses achados determinam as condutas e definem se o bebê possui condições de sustentação da mamada ou se precisará de ajustes específicos para garantir segurança alimentar.

    A leitura do comportamento do bebê também faz parte das competências do fono. Irritabilidade durante a mamada, pausas excessivas, tosse, engasgos, tremores de língua, escape de leite e sucção desorganizada sinalizam que a dinâmica alimentar está comprometida. A análise desses sinais orienta estratégias que vão muito além da pega, incluindo ajustes motores finos, reorganização rítmica e intervenções diretas nos padrões orais.

    Por fim, o fono tem papel fundamental no suporte à mãe. Muitas dificuldades são mantidas por insegurança, dor prévia, falta de orientação clara ou crenças equivocadas sobre produção de leite. O fonoaudiólogo esclarece, orienta e estrutura um plano realista, fisiológico e seguro, sempre respeitando a individualidade do bebê e o conforto materno.

    Compreender o que realmente compete ao fono no manejo da amamentação é o caminho para reduzir erros de condução e melhorar resultados clínicos. Para aprofundar protocolos, ajustes motores e estratégias práticas baseadas em evidências, vale consultar o material Papel da Fonoaudiologia na Amamentação, que aprofunda cada etapa da avaliação e intervenção de forma aplicada à rotina profissional.



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