A avaliação dos comportamentos comunicativos no TEA exige um olhar que ultrapassa a simples descrição de comportamentos observados em sala. O objetivo não é registrar “o que a criança faz”, mas entender “por que ela faz”, “em que contexto faz” e “como isso se relaciona com sua intenção comunicativa”. A análise funcional é, portanto, o centro da avaliação fonoaudiológica no autismo.
O ponto inicial é identificar a função do comportamento. Crianças com TEA podem se comunicar para pedir, recusar, protestar, buscar atenção, evitar demandas, regular o ambiente sensorial ou simplesmente interagir socialmente. O profissional precisa observar padrões de antecedente–comportamento–consequência, prestando atenção em como o contexto influencia as respostas da criança. Esse processo revela, de forma clara, quais habilidades já estão presentes e quais estão ausentes.
A comunicação não verbal é outro eixo crítico da avaliação. Contato visual, uso de gestos, apontar, expressões faciais, direcionamento corporal e tentativas de compartilhamento de atenção são indícios essenciais da intenção comunicativa. Avaliar esses marcadores de forma funcional significa analisá-los em situações naturalistas, não apenas em tarefas estruturadas. Muitas crianças não demonstram determinadas habilidades em testes formais, mas as expressam em momentos espontâneos.
A etapa seguinte é compreender como a criança reage às propostas de comunicação mediada. A forma como ela responde a pistas visuais, apoio gestual, modelos verbais ou interações lúdicas indica o nível de mediação necessário e ajuda a traçar as condições ideais para intervenção. Esse dado é crucial, pois direciona tanto a escolha das estratégias terapêuticas quanto a velocidade com que novas habilidades podem ser introduzidas.
Também é essencial avaliar a variabilidade comportamental. Crianças com TEA podem apresentar repertórios comunicativos restritos, respondendo bem em um contexto e fracassando em outro. Uma avaliação funcional precisa mapear esses contrastes, identificando barreiras contextuais, estímulos que facilitam a comunicação e situações que geram desorganização ou evasão.
Por fim, a análise funcional precisa integrar aspectos sensoriais, comportamentais e linguísticos. Muitos comportamentos considerados “não comunicativos” têm, na verdade, uma função relacionada à autorregulação ou ao controle do ambiente. Distinguir essas funções com precisão é o que permite ao fonoaudiólogo construir intervenções que realmente reduzam comportamentos disfuncionais e ampliem comportamentos comunicativos eficazes.
Para aprofundar condutas, análises e intervenções baseadas em evidências, consulte Fonoaudiologia no Autismo.
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